Instalando Oracle-Java 7(JDK) No Ubuntu 11.10

Publicado: 17 de outubro de 2011 por Yaakov Bourne em LINUX
Tags:, , , , , , , , ,

Pois é pessoal, o Ubuntu 11.10 foi lançado, está cheio de novidades e eu não vou comentar nenhuma delas. Pois há diversos sites pela web comentando sobre o assunto. Ao invés disso, vou solucionar eventuais problemas que possam surgir e que eu consiga solução. De forma a ajudar aos que passam pelos mesmos problemas. Então vamos lá!
O primeiro problema com o qual me deparei, é que o Java da Sun (Oracle) não está mais nos repositórios do Ubuntu. Mesmo que seja habilitado o “Partners”, não será mais possível sua instalação. Ao menos pela Central de Programas como era feito antes. Isso se deve ao fato da Oracle ter alterado a licença do Java (TM) para distribuidores de sistemas operacionais. Ou seja, não importa sua distribuição, você não a encontrará nos seus respectivos repositórios. :( Mas ainda é possível instalá-lo manualmente. :D Para isso, siga os seguintes passos:

 
PRIMEIRO PASSO: faça o download da última versão do Oracle JDK 7 aqui. Mais precisamente o arquivo jdk-7-linux-i586.tar.gz;

SEGUNDO PASSO: extraia seu conteúdo tar -xvf jdk-7-linux-i586.tar.gz;

TERCEIRO PASSO: mova a pasta extraída (jdk1.7.0) para /usr/lib/jvm. Muito provavelmente a pasta /jvm não existirá, então, antes de mover o arquivo, crie a pasta sudo mkdir -p  /usr/lib/jvm/ e depois sudo mv jdk1.7.0/ /usr/lib/jvm/;

QUARTO PASSO: instale o pacote Java Update criado por Bruce Ingalls (disponível da versão 10.04 do Ubuntu em diante)

sudo add-apt-repository ppa:nilarimogard/webupd8
sudo apt-get update
sudo apt-get install update-java

Também é possível fazê-lo manualmente pelo script, caso não queira instalar o ppa acima. OBS: o quarto passo foi testado apenas no Ubuntu, mas deve funcionar em outras distribuições.

QUINTO PASSO: De volta ao terminal, execute sudo update-java e selecione na janela que abrirá, a versão do Java baixado, caso tenha a versão 6 ainda.

SEXTO PASSO: verifique se ocorreu tudo certo executando no terminal

java -version
javac -version

Sua resposta deve ser algo como:
java version “1.7.0″ 
Java(TM) SE Runtime Environment (build 1.7.0-b147)
Java HotSpot(TM) Server VM (build 21.0-b17, mixed mode)

ou “javac 1.7.0” respectivamente.

Plugin Oracle Java 7 para Navegadores

Os passos seguintes são para o Firefox, que por conseguinte, deverá funcionar para os demais navegadores.

PRIMEIRO PASSO: crie a pasta “plugins” em /.mozilla/firefox executando mkdir -p ~/.mozilla/plugins

SEGUNDO PASSO: remova qualquer plugin Java anterior que você possa ter com o comando rm -f ~/.mozilla/plugins/libnpjp2.so ~/.mozilla/plugins/libjavaplugin_oji.so e em seguida sudo rm -f /usr/lib/firefox/plugins/libnpjp2.so /usr/lib/firefox/plugins/libjavaplugin_oji.so

TERCEIRO PASSO: crie um link simbólico para o novo plugin instalado

Versão 32 bit:
ln -s /usr/lib/jvm/jdk1.7.0/jre/lib/i386/libnpjp2.so ~/.mozilla/plugins/

versão 64 bit:
ln -s /usr/lib/jvm/jdk1.7.0/jre/lib/amd64/libnpjp2.so ~/.mozilla/plugins/

Pronto!
Fonte: webupd8.org.

KDE completa 15 anos de estrada hoje.

Publicado: 15 de outubro de 2011 por Yaakov Bourne em LINUX
Tags:, , , , ,

Há 15 anos, o alemão Matthias Ettrich mandou um e-mail na lista comp.os.linux.misc solicitando desenvolvedores para ajudar na criação de um ambiente gráfico denomidado Kool Desktop Enviroment. Nasceu assim uma das interfaces gráficas mais bacanas do software livre, e a sigla acabou virando referência como nome próprio KDE.A idéia inicial de fazer um ambiente amigável para alguém que quisessenavegar na web, escrever e-mails e jogar alguns games bacanas certamente foi superada. E o próximo passo pode estar nas mãos de um novo projeto, o Plasma Active. Trata-se de uma interface mobile com o conceito de que dispositivos não devem ser apenas um repositório de aplicativos, e sim, devem refletir o que o usuário é. A frase que define melhor a experiência do usuário é esta:“Engenharia de usabilidade e interação não é deve ser uma reflexão tardia, mas a força motriz por trás do trabalho que fazemos.”O projeto lançou no dia 9, a primeira versão da interface para tablets, o Plasma Active One. São duas opções para quem quiser experimentar, uma baseada em OpenSUSE e outra em MeeGo. Por enquanto funciona só em alguns tablets, baseados em plataforma Intel. ARM está no roadmap, mas a versão para ele ainda não está disponível.Testei a versão que usa o MeeGo em um Dell Vostro 330 com tela sensível ao toque. Achei um pouco lento, mas gostei muito da idéia de “Activities”. Você pode moldar a área de trabalho de acordo com as tarefas que pretende realizar. Faz muito sentido para dispositivos móveis.Ah, já ia me esquecendo. A versão do Ubuntu 11.10 com KDE está disponível no site oficial. E parabéns a comunidade KDE!

via KDE completa 15 anos de estrada hoje – Zona livre.

 

Dennis Ritchie e Ken Thompson. Richie em pé e Thompson sentado.

 

Como se a morte de Steve Jobs na semana passada não fosse o suficiente, o mundo nerd perde outro ícone, exatos 7 dias depois. Ontem, dia 12 de outubro, faleceu Dennis Ritchie, após uma longa batalha contra uma doença.

Não faz a menor ideia de quem ele é? Ritchie é nada menos do que o criador principal da linguagem de programação C, que por sua vez é nada menos que toda a base para  a computação desde os anos 70.

Na época, os programadores eram incrivelmente limitados (sendo obrigados a usar seu programa ligado a apenas um aparelho, por exemplo), e precisavam diminuir muito a performance de programação. Com a chegada do C, isso mudou completamente. Finalmente, um programa poderia ser movido facilmente entre diferentes hardwares.

Ritchie também é co-criador do sistema Unix, apenas uma das três bases de computador mais importantes do mundo (junto ao Macintosh e o Windows).

Entre os vários descendentes espirituais do Unix e da linguagem C, figuram o Linux, Android, Mac OS, iOS, JavaScript e C++. Apesar de ser quase desconhecido fora do mundo da programação, a contribuição de Dennis Ritchie ao mundo da tecnologia é tão importante quanto a de Steve Jobs.

via Jovem Nerd » Blog Archive » Falece Denis Ritchie, criador da linguagem de programação C.

A vida de Steve Jobs | Gizmodo Brasil (DEFINITIVO)

Publicado: 10 de outubro de 2011 por Yaakov Bourne em TÁ NA REDE
Tags:, , ,

 

 

 

A morte de Steve Jobs nos deixou comovidos, mas pode ser o momento perfeito para ver as partes boas, ruins e, como ele teria colocado, as partes “insanamente ótimas” de uma vida que mudou a história.

Prólogo (É longo. Você pode pular se quiser.)

A linha do tempo a seguir foi feita a partir de uns oito livros, que listo abaixo, e vários sites. Com certeza há alguns erros e partes faltando, porque os livros muitas vezes se contradizem. Considero esta linha do tempo/biografia como uma versão alpha, então envie-me um e-mail (em inglês) caso haja um erro, dê-me uma fonte e eu faço as correções. Ah sim, imagens são bem-vindas.

Quando Bill Gates se aposentou da Microsoft, nós lhe demos uma comemoração durante uma semana  e lhe desejamos tudo de bom em sua jornada pela filantropia em sua fundação. As idas e vindas de Steve Jobs foram menos cerimoniosas. Ele estava doente e a Apple tentou minimizar a doença e a importância de Jobs para a empresa para que ela, o trabalho da vida de Jobs, pudesse seguir em frente depois que ele se aposentasse. E eles fizeram tudo sem fanfarra, para que a empresa não parecesse muito dependente dele. Na segunda-feira passada, saiu o primeiro release à imprensa em meses com uma citação do Steve Jobs, e ele foi visto no campus da Apple. Ninguém em Cupertino deu muita importância a isso. Mas tem uma coisa: ninguém de nós quer mesmo acreditar que ele não é importante. É estupidez pensar isso, se você olhar para a vida dele e como o seu trabalho se encaixa na história. Quero dizer, este é o co-fundador da Apple adoecendo e aos poucos deixando para a geração futura o seu legado de 30 anos para a computação. Isto merece mais respeito, assim como no caso de Bill Gates se aposentando. Poucas notícias foram escritas nesse contexto.

Enquanto eu fazia pesquisa para este texto, encontrando artigos que esperava darem mais contexto aos eventos atuais, eu percebi que não havia uma boa referência para todas as pequenas histórias coletadas pelo Vale do Silício e além sobre a vida de Steve Jobs. As melhores informações vêm de livros e citações em artigos de revista aqui e ali, não da web. Portanto, foi difícil encontrar uma boa referência online que daria um contexto melhor a tudo que está acontecendo hoje.

Então comecei a coletar informações aqui e ali, e achei proveitoso documentar esta vida notável, em vez de reduzi-la a um boato atrás do outro sobre hospital ou transplante. De certa forma, isto dissolveu um pouco da culpa que sentia sobre monitorar a saúde de alguém como se fosse apenas uma notícia. Então eu continuei, até isto se tornar um registro de certa forma apresentável do que sabemos sobre Jobs. Até onde sei, este é o relato mais completo na internet.

Antes de começarmos, gostaria de evitar o costume de colocar as fontes no final do texto e colocá-las aqui, porque todos esses livros são bem incríveis e vale a pena dar uma olhada neles, se você se interessar. Dos três mais notáveis, o primeiro é o Apple Confidential 2.0, de Owen Linzmayer, que tem níveis exatos de detalhe quanto a datas, épocas etc. porém menos sobre a vida pessoal de Jobs. O segundo é The Little Kingdom, de Michael Moritz, repórter para o Vale do Silício e ex-repórter da Time, livro fora de catálogo pelo qual paguei caro no eBay. Por fim, Revolution in the Valley, de Andy Hertzfeld , um dos criadores do Mac (também disponível na web em folklore.org) que conta quase 100 histórias pessoas sobre o desenvolvimento do Mac. Você vai sentir como se estivesse lá. Eu ainda não terminei a lista abaixo, mas vou atualizar esta linha do tempo à medida que surgirem mais detalhes.

• Apple Confidential 2.0 por Owen Linzmayer

• The Little Kingdom: The Private Story of Apple Computer por Michael Moritz

• Revolution in the Valley por Andy Hertzfeld

• Inside Steve’s Brain por Leander Lahney

• iCon Steve Jobs: The Greatest Second Act in the History of Business por Jeffrey Young

• The Perfect Thing por Steven Levy

• The Journey is the Reward por Jeffrey Young

• West of Eden: The End of Innocence at Apple Computer por Frank Rose

Websites:

• Apple 2 History

• Linha do tempo da Cnet para os 30 anos da Apple

• Wikipédia sobre o Lisa, o MacSteve Jobs

• YouTube, Discurso de Steve Jobs para calouros de Stanford em 2005

• Folklore.org, página do livro Revolution in the Valley

• Entrevista do New York Times com Jobs durante a era NeXT

Perfil de Steve Jobs em 1988 da Businessweek

1955

Steven Paul Jobs nasceu em 24 de fevereiro de 1955. Ele foi adotado por Paul e Clara Jobs, e morou na 45th Avenue em San Francisco, EUA. O pai dele tinha um “comportamento imponente”, e antes de ser um cobrador, ele trabalhava na sala de máquinas da guarda costeira. Ele consertava carros e os vendia com lucro.

Steve era uma criança hiperativa. Em dado momento da infância dele, Jobs ingeriu uma garrafa de veneno para formiga e teve que ser levado à emergência do hospital.

Sobre ser adotado, Steve diria mais tarde: “acho que é uma curiosidade natural das pessoas querer entender de onde vêm certos traços”. “Mas na maior parte… acredito que a forma como você é criado, seus valores, e a maior parte da sua visão de mundo vêm das experiências que você teve ao crescer.”

1963

Steve disse sobre seus primeiros anos na escola, com um pouco de orgulho: “Vocês deveriam ter visto a gente na terceira série. Nós basicamente destruíamos o professor. Nós deixávamos cobras soltas na sala de aula, e explodíamos bombas.”

1965

Mesmo com dez anos, a atração de Steve pelos eletrônicos estava se tornando óbvia para seus pais. Em certo momento na infância dele, Steve levou um choque sério enquanto colocava um grampo de cabelo numa tomada. O trabalho de Paul, pai de Jobs, era pegar de volta os carros de quem não pagava as prestações, então ele se mudou com a família para Palo Alto, para lidar com o maior número de retomada de posse de carros associado ao maior número de empréstimos na área em rápido crescimento chamada de Vale do Silício.

1970-1971

Steve Jobs descobre a maconha. (Nota: isso é que se chama de Photoshop, hein?)

1970-1971, parte 2

Steve Jobs conhece Steve Wozniak através de um amigo, e eles se tornam amigos rapidamente, por seu interesse mútuo em eletrônicos, pegadinhas, Bob Dylan e Beatles. Eles tentaram sem sucesso uma pegadinha em especial, na qual um cartaz com um enorme dedo do meio e o acrônimo SWAB JOB (as iniciais de Woz, Allen Baum mais o sobrenome de Jobs) iria surgir no teto durante a formatura do colegial. Mas não deu certo: “Steve entrou em apuros”, diz Wozniak em sua biografia, iWoz. A lição que Woz aprendeu: nunca se gabe sobre suas pegadinhas. Woz foi a primeira pessoa que Jobs conheceu que sabia mais sobre eletrônicos do que ele, e Woz admirava a confiança de Steve nas pessoas.

1970-1971, parte 3

Depois de ler um artigo na Esquire sobre phreaking (hacking de telefonia), eles começaram a trabalhar em Blue Boxes usadas para crackear códigos nos telefones públicos, para fazer ligações de graça. Steve Jobs ainda estava no último ano do colegial. Eles vendiam essas caixas a US$150 no campus, gastando US$40 nas peças. Woz fez um trote para o Papa fingindo ser o diplomata americano Henry Kissinger. Eles conheceram o Captain Crunch, mencionado no artigo da Esquire sobre phreaking. Depois de saírem, o carro deles quebrou na rodovia. A polícia os encontrou tentando fazer ligações de graça e suspeitaram. Woz e Jobs despistaram os policiais dizendo que a Blue Box era um sintetizador musical.

1972

Jobs entra na Reed College, mas larga a faculdade depois de um semestre. (Ele disse em seu discurso em Stanford em 2005 que ele entrou na faculdade por insistência dos pais biológicos dele.)

Jobs e Woz começaram a trabalhar por US$3 a hora no Westgate Mall em San Jose, Califórnia, vestindo-se de personagens de Alice no País das Maravilhas no shopping.

 

 

1973

Jobs permanece no campus da Reed College por 18 meses, entrando em aulas aleatórias como caligrafia, que mais tarde impactariam a tipografia dos Macs.

1974

Jobs volta para a Califórnia e trabalha na Atari. Ele simplesmente apareceu e disse que não sairia enquanto não fosse contratado.

Steve embarca em uma viagem espiritual à Índia com seu amigo Dan Kottke, e paga pela passagem de Kottke. Depois entrar por acaso em uma reunião religiosa, Jobs foi levado ao topo de uma montanha onde o guru lhe raspou a cabeça. Na Índia, Steve experimentou LSD. Dan raspou a cabeça mais tarde também, porque estava com piolhos. Steve foi para a Califórnia e deu para Dan o restante do dinheiro para continuar sua jornada pela Índia.

De volta à Atari, Nolan Bushnell pediu a Jobs para trabalhar em um projeto especial que iria se tornar o jogo Break-Out. Ele fez um acordo para pagar a Jobs uma certa quantia se a máquina tivesse menos que 40 chips. Woz, especialista nessas coisa, ajudou Jobs a completar o design em 48 horas, e Jobs recebeu o bônus. O design era complexo demais para ser fabricado, no entanto. Em 1985, Woz descobriu que Jobs, seu amigo e parceiro, não lhe deu a parte merecida do bônus. Quando Woz o confrontou, supostamente Jobs disse e repetiu não lembrar disso ter acontecido. Se Woz tivesse descoberto isso antes, ele poderia nunca ter se juntado a Jobs para criar a Apple.

1975

No Homebrew Computer Club, Woz mostrou duas placas de circuito impresso que foram construídas para levar dados a uma TV. Jobs continuava trabalhando na Atari, enquanto Woz permanecia na HP.

1976

Woz e Jobs criam a Apple. Não era um nome incrível, mas era funcional, e ele lembrava Jobs do tempo que ele passou em uma fazenda de macieiras em Oregon, EUA. Em 1° de abril, eles assinaram os papeis de posse igualitária. Para levantar capital, Woz vendeu sua calculadora eletrônica HP 65 por US$520, e Jobs vendeu seu fusca vermelho e branco por US$1.500 – só metade do que ele pagou, porque o motor estourou logo depois da venda. O primeiro pedido foi para 50 computadores Apple I, e Jobs fez a venda descalço. Ele confundiu o pedido e entregou placas de circuito, em vez de computadores finalizados com gabinete, então ele teve que receber pagamento parcial. No final do ano, eles já tinham vendido 150 computadores.

1976, parte 2

Woz e Jobs decidiram que o Apple II iria carregar o sistema operacional a partir da placa de circuito, em vez de ter que ser carregado manualmente. Ele também teria uma fonte de energia sem ventoinha, algo que precisava ser criado do zero usando um modelo com alternância, em vez de uma fonte linear.

Mike Markkula se tornou o primeiro investidor da Apple. Vendo o trabalho dos Steves, ele acreditava que conseguiria colocar a Apple na lista da Fortune das 500 maiores empresas – o que um dia aconteceu.

1977

A Apple Computer se torna uma empresa quando Mike Markkula, Jobs e Woz assinam os papéis na casa do Mike, em 3 de janeiro.

Mike Scott se torna presidente da Apple, e ofende Jobs de duas formas: primeiro ele dá ao Woz a posição de Funcionário n°1, porque seu design foi essencial para fundar a empresa. Jobs iria se colocar depois como Funcionário n°0. Depois, Scott diz que o odor de Jobs está infestando o escritório.

Jobs começa a deixar sua marca no design da Apple contratando a agência de propaganda da Intel, Regis McKenna, para recriar o logotipo para a maçã com cores do arco-íris, melhor reconhecida quando pequena, porém mais cara de se reproduzir com tantas cores. A mordida na maçã era uma brincadeira com a palavra “byte” (“bite” em inglês significa “morder”) e evitava que o logotipo fosse confundido com um tomate.

O Apple II estreia na West Coast Computer Fair em 17 de abril, como o computador pessoal mais elegante do mundo, em seu gabinete de plástico. Woz desenvolveu a máquina com apenas 62 chips, e Jobs insistiu que eles fossem bem organizados na placa principal. Ele tem slots de expansão, mas nenhum parafuso visível – todos ficavam na parte de baixo.

Randy Wigginton, um dos primeiros programadores da Apple, disse que durante o desenvolvimento do Apple II, a forte amizade entre Woz e Jobs começou a se desfazer.

A namorada de Jobs, Chris-Ann Brennan, engravida, mas Steve nega que o filho seja seu. Ela se recusa a abortar e isso acaba o relacionamento entre eles.

1978

Em 17 de maio, nasce a filha de Jobs, Lisa Nicole, na fazenda All-One em Oregon, perto de pomares de maçã. Steve visitou e ajudou a lhe dar um nome, mas ainda negava a paternidade. Nessa época, Steve começou a dar a ideia de um computador de próxima geração para empresas que iria se chamar Lisa.

Steve Jobs criou um gabinete para o Apple III, mas ele era pequeno demais para fazer caber os componentes que a equipe de engenharia construiu.

A Apple se muda para a sede em Cupertino.

Na primeira festa de Dia das Bruxas na Apple, Jobs se veste de Jesus Cristo.

1979

Ele começa a trabalhar no projeto Lisa, um nome cujos rumores diziam se tratar da sua então bastarda filha. O nome sofreu engenharia reversa e passou a significar “Local Integrated Software Architecture”, enquanto uma piada na época dizia que o nome significava “Let’s Invent Some Acronym” (“Vamos Inventar Uma Sigla”).

O computador teria uma Interface de Usuário baseada em janelas e em um mouse, inspirada nas tecnologia do PARC (um centro de pesquisas da Xerox). Em uma das reuniões no PARC, onde eles mostraram a tecnologia a Jobs, ele supostamente começou a pular pela sala, empolgado, dizendo: “Por que vocês não estão fazendo nada com isso? Isso é a melhor coisa do mundo! Isso é revolucionário!” Ele também disse, à revista Rolling Stone: “Eu não acho que qualquer pessoa racional possa argumentar que no futuro todos os computadores não funcionarão assim”.

Ele comprou uma casa em Los Gatos, e a deixou quase toda sem decoração. Apenas uma pintura de Maxfield Parrish, um colchão e algumas almofadas foram vistas como as principais mobílias da casa. (A foto acima foi tirada por Diana Walker em 1982.)

Jobs é conhecido por ter um coupé Mercedes. Este foi o ano em que ele comprou o seu primeiro, junto como uma moto da BMW.

Jobs faz um corte de cabelo menos bagunçado e se compromete a se tornar mais homem de negócios. Ele começa a usar ternos, ocasionalmente.

É lançado um processador de texto chamado AppleWriter. Ele funcionava com a primeira impressora da Apple, a Silenttype.

Ele faz um teste de paternidade, que diz com 94,97% de certeza que Lisa Nicole é a sua filha. Ele continua negando a paternidade, e Chris-Ann entra no programa de welfare (um programa do governo americano que paga uma quantia a pessoas que não conseguem se sustentar adequadamente). Uma ordem judicial determina que Jobs pague pensão para sua filha.

1980

A Apple vira uma empresa com ações públicas. Jobs vale US$ 217 milhões ao final do primeiro dia de pregão.

Dan Kottke, o amigo e parceiro de viagem à Índia, não recebe ações, apesar de ser o empregado #11. Supõe-se que Jobs tenha negado ações a ele por ter se sentido traído quando Kottke ofereceu um ombro para Chris-Ann depois do término do relacionamento com Jobs. Outros empregados das antigas também receberam poucas ações, ou nenhuma. Woz, por outro lado, ofereceu ações a muitos que não as ganharam diretamente da Apple, distribuindo cerca de 1/3 das suas ações em seu Wozplan.

Década de 80

Em algum momento da década de 80, Steve Jobs cultivou o bigode abaixo. A série de TV Magnum PI, em que Tom Selleck ficou famoso por usar um bigode como esse, estreou em dezembro de 1980.

1981

Mike Scott deixa o cargo de CEO, infeliz com o emprego, mas feliz com as ações. Jobs assume como presidente.

Chutado da equipe do Lisa por gerentes que discordavam das suas táticas e duvidavam da sua capacidade de liderança além da sua visão, Jobs se envolve com o projeto Macintosh, de Jef Raskin, batizado com uma versão errada do nome McIntosh, um tipo de maçã. Ele foi projetado como um computador de US$ 1000 que “simplesmente funcionaria” depois de ligado. Eventualmente, Jobs tiraria o projeto de Raskin. Em uma reunião, Jobs jogou uma lista telefônica sobre a mesa e insistiu que o computador não fosse mais longo do que aquilo, e na vertical. Ele contratou a frogdesign e Hartmut Esslinger para inventar a linguagem de design para o Mac, chamada Snow White.

Diferente do Apple II de Woz, ele não tinha placas de expansão. Apesar de boa parte da Apple estar se tornando mais “certinha”, alguns atribuem a Burrell Smith, um técnico terrivelmente criativo cujo talento estava sendo desperdiçado no departamento de serviços, a criação de uma placa digital genial ao redor da qual o resto da equipe poderia trabalhar. A máquina era notável também porque, diferente do projeto Lisa e de outros que eram batizados com nomes de mulheres (esposas, filhas, namoradas), o Mac foi batizado assim de propósito por Raskin para quebrar a tendência sexista. (O nome inicial do projeto era Annie.) Antes de boa parte disso, em 1979, Jobs pediu para que Raskin bolasse as especificações técnicas antes do preço. Raskin escreveu uma lista absurda de características para zombar da ideia. Anos depois, a lista acabaria descrevendo boa parte da máquina, justificando os métodos de Jobs.

A equipe do Mac define o “campo de distorção da realidade” de modo diferente como nós nos acostumamos a pensar nele ultimamente: um engenheiro mencionaria uma ideia a Jobs, que acharia a ideia estúpida, mas semanas depois acabaria sugerindo a mesma ideia como se fosse ele, conscientemente ou não.

Jobs diz que o design do Mac precisava ser mais como um Porsche do que como um VW. (Ele tinha um Porsche 928 na época.) Ele falava em designês e dizia coisas assim quando julgava um protótipo: “Está caixoso demais, precisa ser mais curváceo. O raio do primeiro chanfro precisa ser maior, e eu não gostei do tamanho do bisel. Mas é um começo.”

1981, Parte 2

Jobs demonstra o Macintosh a Bill Gates, e Gates concorda em desenvolver software para ele. Os dois homens discordam sobre o futuro do computador: Gates acreditava no potencial corporativo, e Jobs, no benefício às pessoas comuns. Na versão dramatizada do filme Os Piratas do Vale do Silício, Gates usa essa demonstração para iniciar o desenvolvimento do Windows, pelas costas de Jobs. Os engenheiros da Apple, no entanto, não podiam mostrar o Lisa a Bill Gates, e faziam muito segredo sobre o que demonstravam. Jobs corta uma demonstração de Andy Hertzfeld, engenheiro e apresentador, gritando “Cale a boca!” quando pensou que ele estava chegando muito perto de revelar um segredo.

Quando o primeiro PC da IBM chegou, a Apple publicou um anúncio arrogante no Wall Street Journal, com o título “Bem-vinda, IBM. Sério”. Jobs teria dito: “Nós venceremos a IBM no mercado. Nós sabemos o que estamos fazendo”. Vinte anos depois, os herdeiros do IBM PC, rodando o Windows, da Microsoft, teriam mais de 90% do mercado.

1981, Parte 3

Outra foto de Steve Jobs dando as boas vindas à IBM:

1982

Jobs faz Bill Gates e a Microsoft prometerem que nunca trabalhariam em qualquer software corporativo que usasse um mouse se não fosse para a Apple. O fato deles não excluírem a Microsoft de desenvolver um sistema operacional concorrente permitiria a Gates desenvolver o Windows juntamente com os softwares para Mac que a Microsoft estava desenvolvendo.

O prédio da equipe do Mac tinha um sistema de segurança que se armava às 17:30, muito cedo para programadores que muitas vezes voltavam ao trabalho depois do jantar. Ele disparava todos os dias, ou quase. No fim, Steve gritou para que alguém destruísse o alarme. Andy Hertzfeld enfiou uma chave de fenda no alarme e, quando um segurança apareceu e gritou com eles, Jobs se responsabilizou pelo ato. Obviamente, ele não se deu mal por isso.

Jobs saiu com a cantora Joan Baez. Alguns diziam que o fascínio que Jobs tinha por Bob Dylan, com quem a cantora já havia estado, era parte da atração por ela.

Jobs compra um apartamento em Nova York, com vista para o Central Park, e contrata o arquiteto I.M. Pei para renová-lo, mas nunca o usa e acaba vendendo-o para Bono Vox, do U2, décadas depois.

1983

Steve Capps, da equipe do Macintosh, hasteia uma bandeira pirata sobre o prédio. A equipe do Lisa rouba a bandeira, mas ela é recuperada e permanece hasteada por mais de um ano.

Uma matéria de capa da Wired escrita por Michael Moritz (hoje um investidor que fazia parte do conselho do Google) começa a revelar o pior lado de Jobs ao público. A matéria tinha declarações de Woz, dizendo que Jobs não havia projetado muita tecnologia no Apple II, e várias alfinetadas de fontes anônimas. Jobs cancelou seus planos para o fim do ano e ficou pensando sobre o artigo.

As pessoas sabiam quando Steve estava no escritório, porque ele estacionava o seu Mercedes azul na vaga para deficientes. As pessoas achavam que ele fazia isso por ser idiota, mas David Bunnel declarou que era porque, de outro modo, empregados descontentes do Lisa ou do Apple II arranhariam o carro com as suas chaves.

“É melhor ser um pirata do que se juntar à Marinha”, disse Steve. O projeto do Mac roubava mais e mais tecnologia do projeto Lisa, especialmente depois que Burrell Smith deu um jeito de usar o mesmo processador do Lisa, o Moto 68000, no Mac. Mas Jobs se recusou a tornar o código das duas máquinas compatível.

O produto final do projeto Lisa seria lançado anos depois, por US$ 10K, cinco vezes o preço original do projeto. Seria um fracasso, competindo com a máquina da IBM, de US$ 3K.

Jobs contrata John Scully, da Pepsi, para ser CEO, com a frase, “Você quer passar o resto da vida vendendo água açucarada, ou você quer uma chance de mudar o mundo?” Alguns consideraram a falta de experiência no ramo de tecnologia como uma falha, mas Jobs viu uma oportunidade de guiar o homem que seria o seu chefe.

Bill Gates revela o Windows, afirmando que 90% das máquinas da IBM no mercado rodariam o seu software ao final de 1984.

1984

Jobs apresenta o famoso comercial “1984”, dirigido por Ridley Scott (de Blade Runner), ao conselho da Apple. Eles absolutamente odiaram o comercial e votaram pela venda do bloco de publicidade do Super Bowl que eles compraram (e que custou mais do que os US$ 750K do custo de produção do comercial). Eles não conseguiram vender o espaço e decidiram então passar o comercial, que mostrava um mundo distópico, como o do livro de mesmo nome de George Orwell, implicitamente comandado pela IBM e destruído pela chegada do novo Mac. O comercial acabou sendo premiado. Jobs disse, “A sorte é uma força da natureza… Usar a temática do 1984 era uma ideia tão óbvia que eu fiquei com medo que alguém fizesse a mesma coisa antes de nós, mas ninguém fez”.

O Mac é lançado em 24 de janeiro. Jobs usou uma gravata borboleta estilo polka dot e recitou a letra de “The Times Are A-Changing”, de Bob Dylan. Então ele revelou o Mac, que começou a falar usando um programa de sintetização de voz: “Olá, eu sou o Macintosh”, terminando com, “Então é com considerável orgulho que eu apresento o homem que tem sido um pai para mim, Steve Jobs”.

O Apple III, que deveria substituir o Apple II, é descontinuado no mesmo dia que Jobs anunciou o Apple IIc, uma versão mais compacta e amigável do Apple II, por insistência de Jobs. A festa de comemoração, batizada de “Apple II Forever”, foi interrompida por um terremoto de 6.2 pontos na escala Richter em San Francisco.

1984, Parte 2

O Mac inicialmente vende bem, mas começa a vacilar nas vendas quando começa-se a ouvir falar dos seus bugs e da falta de funcionalidades competitivas. Programadores tiravam barato da necessidade contínua de ficar trocando os disquetes dos programas e para salvar arquivos. Eles chamavam de “Olimpíada da Troca de Disquetes”, e a lesão resultante era o “Ombro do Trocador de Disquete”. Os três programas da Microsoft, Paint, Word e Write, eram alguns dos raros aplicativos disponíveis. As pessoas começaram a culpar Jobs por não fazer testes de mercado que iriam além das funções que ele desejaria.

Jobs ganha o comando da equipe do Lisa novamente e a repreende por terem “falhado” na frente da nova equipe combinada do Lisa e do Mac.

O time de desenvolvimento do Mac começa a descobrir que, sob o lema de “trabalhar 90 horas por semana, adorando”, estava recebendo bem menos do que a equipe do Lisa, e mesmo em comparação os engenheiros júniors da equipe do Mac. Muitos se sentem traídos por Jobs. São distribuídos bônus, que melhoram a moral da equipe, mas então a lucrativa equipe do Apple II começou a se chatear com os privilégios da equipe do Mac.

Jobs aparece como o Presidente Roosevelt em uma paródia com temática militar do comercial “1984”, chamada “1944”, que mostra Macs guerreando com computadores da IBM. O comercial custa US$ 50K para desenvolver e é exibido para a equipe internacional de vendas no encontro internacional em Waikiki, no Havaí. “A IBM quer nos varrer da face da Terra”, diz Jobs à revista Fortune.

A artista Maya Lin, do memorial aos veteranos do Vietnã, é o novo envolvimento de Jobs.

Jobs compra a Jackling House, uma mansão californiana de 1926, construída para o engenheiro metalúrgico e de mineração Daniel Cowam Jackling pelo famoso arquiteto George Washington Smith. Jobs viveu na casa de mais de 5.000 metros quadrados pelos próximos 10 anos, com o mínimo de mobília. Ele a alugou por algum tempo depois.

1985

Jobs e Wozniak recebem a primeira Medalha Nacional de Tecnologia de Ronal Reagan.

Por volta dessa época, um pouco antes ou um pouco depois disso, Jobs descobre que Woz se resignara. Woz eventualmente voltaria à faculdade sob o pseudônimo Rocky Clark. Ele ganharia um bacharelado CS/EE da UC Berkeley.

Ella Fitzgerald canta na festa de aniversário de 30 anos de Jobs no Hotel St. Francis em San Francisco, um baile de gala.

Jobs declara, em uma entrevista à revista Playboy, que não estava feliz por ter descoberto, através de uma fita de vídeo que ele não deveria ter visto, que todos os mísseis nucleares americanos operados fora da Europa estavam sendo mirados usando um Apple II.

Executivos da Apple começam a culpá-lo pelas previsões de vendas erradas do Mac e a criar ressentimentos pelo seu estilo de gerenciamento. Mike Murray, o tenente de marketing de Jobs, escreve um memorando resumindo os problemas da Apple, colocando boa parte da culpa em Steve. Ele mostra o memorando primeiro a Jobs, e o seu campo de distorção da realidade começa a falhar. Scully e o conselho retiram de Jobs o controle do grupo do Mac e a linha de produtos Lisa é exterminada.

Scully é avisado por um VP que Jobs planeja destroná-lo enquanto Scully comparece a uma viagem à China. Quando confrontado, Jobs diz “eu acho que você faz mal para a Apple e é a pessoa errada para comandar esta empresa”. Scully convoca uma reunião de emergência para a próxima manhã. “Eu estou no comando deste lugar, Steve, e eu quero você fora daqui de uma vez por todas. Agora!’ Scully faz com que cada pessoa na sala se alie a ele ou a Steve. Jobs fica quieto durante o tempo todo. Jobs procura Scully para reafirmar que ele respeitaria a sua liderança, mas enquanto isso está planejando um golpe final pelas suas costas. Na noite de terça-feira, dia 28 de maio de 1985, Steve Jobs é dispensado de todos os seus afazeres, mas permanece o presidente do conselho. Amigos se preocupam com o fato de que ele possa se suicidar.

1985, Parte 2

Jobs fica sem rumo por um tempo. Ele tenta convencer a NASA a deixá-lo viajar no ônibus espacial, pensa em entrar para a política e aprende sobre biotecnologia. Então ele reconhece que adora criar produtos inovadores e começa a planejar um novo empreendimento. Ele informa a Apple desses planos, e da sua intenção de sair do conselho. A Apple considera manter o homem e investir em seus novos planos, mas percebe que ele estaria levando empregados-chave com ele, e Jobs acaba resignando inteiramente à Apple.

Ele se demite ao pôr-do-sol, entregando uma carta a Mike Murray no pátio frontal da casa dele, com a presença da mídia. Dramaticamente, ele declara à imprensa: “Se a Apple se tornar um lugar onde computadores são um item de commodity, onde o romance se foi e onde as pessoas esqueceram que os computadores são a mais incrível invenção do homem”, eu sentirei que perdi a Apple. Mas se eu estiver do outro lado do mundo, e todas essas pessoas ainda sentirem essas coisas, então eu sentirei que os meus genes ainda estão lá”.

Jobs vende quase todas as suas ações da Apple, mais de 4 milhões delas (US$ 11 milhões), citando falta de confiança na gerência da empresa. Ele fica com apenas uma ação. Alguns dizem que foi por razões sentimentais, outros acreditam que foi porque ele queria continuar recebendo os relatórios trimestrais.

A Apple processa Jobs por usar pesquisas da empresa para lançar uma nova empresa. Jobs responde: “É difícil pensar que uma empresa de 2 bilhões de dólares, com mais de 4.300 pessoas, não possa competir com seis pessoas de calça jeans”. O processo é dispensado antes de ir a julgamento.

A Microsoft lança o Windows 1.0, copiando o visual das primeiras interfaces gráficas do Mac OS (que copiavam as da Xerox).

Scully permite que Gates use tecnologia Mac no Windows se a Microsoft não vendesse imediatamente uma versão Windows do Excel, o que daria à Apple uma vantagem no mercado corporativo.

Jobs batiza sua nova empresa de NeXT. O seu primeiro projeto seria uma workstation para educação superior, inspirada pelo seu interesse em biotecnologia, que seria barata o suficiente para estudantes, mas poderosa o bastante para rodar simulações de laboratório. Uma matéria de capa da Businessweek na época continha uma declaração de Andrea Cunningham, uma ex-publicitária da NeXT: “Parte de Steve queria provar aos outros e a si mesmo que a Apple não era apenas sorte… ele queria provar que Scully nunca deveria tê-lo deixado partir”.

Em algum momento durante este ano, a Apple descontinua o Lisa.

1986

Jobs paga US$ 100K para que o designer Paul Rand, criador do logo da IBM, entre outros trabalhos, crie uma identidade para a marca NeXT, incluindo um logo.

Por volta dessa época, Jobs começa a construir um relacionamento com a sua filha Lisa, já com cerca de 7 anos.

Jobs termina a sua venda de ações da Apple.

Steve compra a Pixar do grupo de gráficos computadorizados da Lucasfilm por um preço com desconto: US$ 10 milhões – sendo que metade desse valor seria usado para a operação do estúdio. A venda foi feita para que George Lucas pudesse financiar o seu divórcio sem ter que vender ações do Star Wars. Jobs certa vez declarou: “Se eu soubesse em 1986 o quanto iria me custar manter a Pixar funcionando, eu duvido que teria comprado a empresa”.

1987

Ross Perot viu Jobs na TV, ligou para ele e se ofereceu como investidor. Jobs esperou uma semana só para fazer charme. Perot ganhou 16% das ações da NeXT com um investimento de US$ 20 milhões.

Jobs, já na casa dos trinta anos, toma conhecimento de seus pais biológicos: Joanne Carole Schlieble, uma terapeuta de fala, e Abdulfattah Jandali, um sírio professor de ciência política. Ele também descobre ter uma irmã – Mona Simpson, uma romancista.

Mona convida Jobs para uma comemoração do seu novo livro, “Anywhere But Here”, e revela o seu parentesco para os presentes no evento. Alguns acreditam que Jobs foi a base para a criação do protagonista de um de seus próximos livros, “A Regular Guy”. O marido de Mona Simpson, Richard Appel, foi um dos roteiristas do desenho Os Simpsons, e batizou a mãe de Marge com o nome de sua mulher. As suas interações com ela, e a descoberta do quão parecidos ambos eram, tiveram um impacto em Steve Jobs. Steve Lohr escreveu para o NY Times: “O efeito de tudo isso em Jobs parece ser um certo senso calmo de fatalismo – menos urgência em controlar o seu ambiente imediato e uma maior confiança de que os resultados da vida estão, até certo ponto, gravados nos genes”. Apenas alguns anos antes, Jobs estava firme na opinião de que a maior parte da sua personalidade teria sido moldada a partir de suas experiências, e não de seus pais biológicos ou do seu código genético.

A fábrica robótica da NeXT abre em Fremont, não para controlar custos de mão-de-obra, mas para usar lasers para ter mais precisão e qualidade na hora de soldar circuitos.

1988

O Windows começa a ficar exageradamente parecido com o Mac OS. A Apple processa a Microsoft por cópia da sua interface, alegando que o acordo anterior de permissão de uso da tecnologia Mac era referente apenas ao Windows 1.0.

Jobs vende um computador NeXT ao Rei Juan Carlos I da Espanha antes mesmo do seu lançamento.

Em outubro, o computador da NeXT, batizado de Cube, foi revelado em um salão sinfônico, para mostrar o processamento de som estéreo da máquina. A máquina, com um case de magnésio, tinha uma porta Ethernet e suporte a gráficos e sons no corpo dos emails, algo raro para a época, além de um monitor de 17 polegadas preto e branco. A maioria das universidades já preferia telas coloridas para workstations naquela época. Ela também tinha um disco magnético opcional que era meio lento e muito caro.

A máquina de relações públicas diz à imprensa que Steve Jobs se acalmou um pouco, e agora tem mais noção. Mas um ex-empregado contou uma história contrária a isso: “todos podiam dar o seu voto. Então Steve chegava e dava seus 70 votos”.

Mas Steve realmente havia mudado. Um exemplo é o incomum esquema de pagamento na NeXT. Até o início dos anos 90, só havia duas classes de pagamento: US$ 50K ou US$ 75K, dependendo de quando você entrou na empresa. O dia do pagamento era uma vez por mês, referente às próximas quatro semanas. Sêniors que se juntassem à Apple ganhavam 2% em ações da companhia. Tamanha igualdade contrastava com o sistema caótico de pagamentos e recompensas do início da Apple.

Em um jantar com importantes representantes de universidades, os maiores compradores das máquinas da NeXT, a equipe falhou em preparar um prato vegetariano. Ele cancelou o a porção de entrada para a sala inteira, deixando com fome uma sala cheia de potenciais clientes.

1989

Apple é processada pela Apple Corp., dos Beatles. Steve é um grande fã dos Beatles, tendo uma vez inclusive dito que o seu modelo de negócios é ser como a banda, na qual a soma das partes é maior que os indivíduos envolvidos.

Apple é processada pela Xerox pela interface.

O Cube da NeXT começa a ser enviado aos consumidores. Quando questionado sobre atrasos na produção, Steve responde que o computador ainda estava cinco anos à frente do seu tempo, de qualquer forma.

Os últimos 2700 computadores Lisa seriam discretamente descartados em um aterro em Logan, Utah, para que a Apple pudesse ganhar um desconto em impostos.

O Mac Portable é lançado.

1990

Nesta época, Jobs conhece Laurene Powell, enquanto falava para uma turma da escola de administração de Stanford. Eles trocam números. Jobs tinha um jantar de negócios naquela noite. “Eu estava no estacionamento, com a chave na ignição, e pensei comigo mesmo, se esta for a minha última noite na Terra, eu prefiro passá-la em uma reunião de negócios ou com esta mulher? Eu atravessei o estacionamento correndo e perguntei se ela jantaria comigo. Ela disse que sim, e nós estamos juntos desde então”.

1991-1992

O PowerBook é lançado.

Steven Jobs e Laurene Powell se casam no Ahwahnee Hotel no Parque Nacional Yosemite, no dia 18 de Março, em uma cerimônia presidida pelo monge budista Kobin Chino. Seu primeiro filho, Reed Paul Smith, nasce ao final do mesmo ano, batizado com o nome da faculdade que Jobs abandonou, e também do seu pai.

Por volta desta época, a filha Lisa começa a morar com Jobs, e continua durante a adolescência.

1993

O Newton Message Pad é lançado.

A Macintosh TV é lançada.

John Scully é afastado pelo conselho em Junho, substituído por Michael Spindler, chefe da Apple Europe.

Depois de vender apenas 50.000 das suas máquinas, a NeXT desiste do negócio de hardware, focando apenas em software. Eles trabalham em portar o NeXTSTEP OS para processadores Intel 486.

1994

O PowerMac 6100/60 é lançado.

A QuickTake Camera é lançada.

1995

Jobs e o seu melhor amigo, Larry Ellison, da Oracle, passam férias no Havaí e, enquanto caminham na praia, discutem a possibilidade de uma tomada hostil da Apple. Eles arranjariam 3 milhões de dólares em financiamento e Jobs assumiria o leme. “Nós chegamos muito, muito perto de fazer isso”, disse Ellison ao New York Times, “foi Steve quem decidiu contra a ideia”. “Eu decidi que não sou o tipo de cara que faz uma tomada hostil”, disse Jobs. “Se eles tivessem me pedido para voltar, poderia ter sido diferente”.

Pixar lança Toy Story, e os 80% de participação de Jobs na Pixar passam a valer 600 milhões de dólares.

Clones de Mac vivem.

Nasce Erin Seinna, a segunda criança de Steve e Laurene Powell.

Os processos Microsoft/Apple são finalmente julgados; a Apple perde.

1996

“Eu fico entristecido com o fato… da Microsoft… fazer produtos verdadeiramente de segunda linha”, diz Jobs em uma entrevista.

Para a revista Fortune, Jobs diz: “Sabe, eu tenho um plano que poderia salvar a Apple. Não posso dizer nada além de que é o produto perfeito e a estratégia perfeita para a Apple. Mas ninguém de lá quer me ouvir”.

Gil Amelio substitui Michael Spindler como CEO da Apple, e as ações chegam ao valor mais baixo em 12 anos.

O sistema operacional da Apple está antigo e precisa ser substituído. A Apple considera a compra da BeOS, ou mesmo licenciamento do Windows NT da Microsoft. Mas em vez disso eles olham para a NeXT e o seu NeXTSTEP OS, que influenciou diretamente a interface, arquitetura e capacidades multitarefa modernas do seu futuro Mac OS X, que é usado em todos os Macs de hoje.

A Apple anuncia a sua intenção de compra da NeXT por US$ 430 milhões em pagamento de investidores e US$ 1,5 milhão ações da Apple para Jobs, que também reentraria na empresa como um conselheiro, trazendo “muita experiência e cicatrizes”. Ele também reconhece ter sossegado um pouco o seu estilo de gerenciamento. Como descreve um empregado da Pixar: “Depois de três palavras saírem de sua boca, ele geralmente te interrompia e dizia ‘OK, é assim que eu vejo as coisas’. Não é mais assim. Ele ouve bem mais, e esta mais calmo, mais maduro”. Jobs atribuiu a mudança a uma maior fé nas pessoas. “Eu confio mais nas pessoas agora”.

Jobs pisa novamente no campus da Apple, profundamente modificado desde a última vez que havia estado lá, pela primeira vez desde 1985.

1997

“Steve vai detonar Gil tão forte que as orelhas dele vão explodir”, disse um empregado anônimo da Apple à revista New Yorker, sobre a volta de Jobs à Apple. E como não poderia ser diferente, ele é logo instaurado como CEO interino, substituindo Gil Amelio.

Jobs: “A cura para a Apple não é corte de custos. A cura para a Apple é inovar até sair do seu estado atual”.

Jobs chama os computadores da Dell de caixas beges sem graça; Michael Dell diz que, se estivesse no comando da Apple, devolveria o dinheiro aos acionistas.

John Ive é contratado, dando início a uma nova era no design da Apple.

O Mac de 20º Aniversário, com player de DVD e um sintonizador de TV, é lançado. É o primeiro produto assinado por Ive.

1998

Jobs encerra muitos projetos, focando a Apple apenas em computadores.

Nasce Eve Jobs.

Nasce o primeiro iMac.

1999

Sai o filme Piratas do Vale do Silício. Noah Wyle interpreta Steve Jobs, e Anthony Michael Hall, Bill Gates. O filme começa no set do comercial “1984”, do Mac.

2000

Jobs se torna novamente o CEO permanente da Apple.

É lançado o PowerMac Cube.

Jobs para de manter a mansão Jackling House que ele comprou em 1984.

2001

Abre a primeira Apple Retail Store, em McLean, Virgínia.

É lançado o OS X 10.0.

É lançado o iPod.

2003

O Power Mac G5 é lançado, em um familiar case só de alumínio.

Al Gore se junta ao conselho da Apple.

Jobs descobre um tumor maligno no seu pâncreas. É uma forma rara de câncer pancreático, que pode ser curada. Ele tenta medicina alternativa por 9 meses, sem sucesso na cura.

2004

Steve se submete a uma cirurgia para remover um tumor em Julho e tira uma mês para se recuperar. Em uma carta aos empregados da Apple, que ele escreveu no hospital, usando seu PowerBook de 17 polegadas, ele disse: “Tenho notícias pessoais que eu preciso compartilhar com vocês, e eu gostaria que vocês ficassem sabendo diretamente por mim… Neste fim de semana eu passei por uma bem-sucedida cirurgia para remover um tumor canceroso do meu pâncreas”.

Jobs recebe permissão para demolir a Jackling House e reconstruir uma casa menor no local. Preservacionistas locais impedem a decisão.

2005

A Apple anuncia chips Intel dentro dos Macs, culminando o projeto “Star Trek”, que era sobre rodar o OS X em hardware Intel x86. PCs e Macs passam a ser essencialmente iguais, no que diz respeito a componentes. Somente o software e o design passam a ser os diferenciais; a consciência de design de Jobs, enfatizada no início dos seus dias na Apple, e a importância do software sobre o hardware, aprendida com o NeXT, ajudariam a guiar a Apple pelos próximos anos.

Jef Raskin, pai do Mac, morre de câncer pancreático.

Jobs faz 50 anos.

Os iPods Nano, Video e Shuffle são lançados.

Jobs faz o seu famoso discurso de formatura em Stanford, contando três histórias, uma sobre intuição e como ele foi para a faculdade e as coisas que continuou aprendendo mesmo tendo saído do seu curso. Outra foi sobre o seu amor pela Apple e sobre perder a empresa. E a última foi sobre a morte e a sua experiência com o câncer. O vídeo e a transcrição estão amplamente disponíveis online, e são um dos momentos de maior abertura pessoal da sua vida nesta segunda era da Apple.

2007

O iPhone é anunciado em Janeiro e lançado em Junho.

A Apple TV é lançada.

2008

Chega o Macbook Air. Vários rumores falam sobre Steve estar magro demais para ser considerado saudável.

A Psystar anuncia um clone de Mac por US$ 400, usando gambiarras Hackintosh para instalar o OS X em um PC clone.

O Gizmodo americano publica um rumor de que Steve está doente se afastará na primavera. A mídia mainstream nega, particularmente Jim Goldman, da CNBC, e alguns repórteres do WSJ, até janeiro.

2009

Steve Jobs pede um afastamento por motivos de saúde, de Janeiro até Junho. Tim Cook assume as responsabilidades diárias, enquanto Jobs mantém o título de CEO.

Jobs recebe permissão para demolir a Jackling House e construir uma casa menor no lugar.

Steve Jobs recebe um transplante de fígado no Tennessee. O NY Times levanta a questão de por que ele conseguiu um transplante tão rapidamente, e o hospital emite um comunicado, com a permissão de Jobs, dizendo que ele recebeu o fígado rapidamente porque era o mais doente na lista de espera.

Steve Jobs retorna silenciosamente à empresa em Junho, aparecendo no campus e sendo citado em um press release.

2010

Jobs começa o ano em ritmo de keynote, anunciando o iPad em janeiro.

Em uma reunião corporativa, Steve diz que o slogan “Don’t be evil” (“Não seja do mal”) do Google não passa de “bullshit” – uma maneira mais agressiva de dizer que é bobagem, balela, enganação. Os empregados aplaudem.

O antigo parceiro Eric Schmidt se transforma em inimigo quando as suas empresas se tornam rivais.

Apple anuncia o iPhone 4 em junho.

Falhas de design no iPhone 4 levam a problemas de recepção quando segurado normalmente. Jobs responde um email de um usuário sobre isso dizendo “Apenas evite segurar assim”.

Meses depois, Steve convoca um evento para defender a antena do iPhone 4, mas informa os usuários que eles receberão um bumper gratuito (bumper é uma espécie de capa que cobre apenas as laterais do aparelho, impedindo que a as mãos cubram a antena). Ele também aproveita a oportunidade para declarar que a sua saúde está “bem”, chamar de “bullshit” um artigo do WSJ sobre falhas de engenharia na antena e acusar o NY Times de “inventar essas coisas do nada”.

O Magic Trackpad é lançado.

Steve volta ao palco da keynote para apresentar a nova Apple TV, iPod Nano, iPod Touch e iPod Shuffle.

Jobs vira notícia mesmo fora da mídia de tecnologia ao discutir por email com uma estudante de jornalismo. “Nossas metas não incluem te ajudar a tirar uma nota boa”, escreveu ele, logo antes de enviar outro email dizendo “por favor, nos deixe em paz”.

A Apple vende mais iPads do que Macs pela primeira vez.

Steve volta ao palco para mostrar o OS X Lion, o iLife ’11 e dois novos MacBooks Air.

O Financial Times elege Steve a sua Pessoa do Ano.

2011

Depois de muita expectativa, a Verizon começa a oferecer o iPhone 4. Steve Jobs não participou do anúncio.

Jobs envia um memorando para a empresa inteira, informando de mais um afastamento médico, mas dizendo que ele continuaria como CEO e estaria envolvido em todas as grandes decisões estratégicas da empresa. Tim Cook é novamente deixado a cargo das operações diárias. Não fica claro se o afastamento é graças a complicações com o seu fígado transplantado ou ao câncer pancreático. “Eu amo muito a Apple e espero estar de volta assim que possível”, ele conclui.

Em 24 de Agosto, Steve Jobs anuncia sua renúncia ao cargo de CEO da Apple, tornando-se presidente do conselho. Ele escreve o seguinte em uma carta à empresa:

Eu acredito que os dias mais brilhantes e inovadores da Apple ainda não chegaram. E eu mal posso esperar para assistir e contribuir para esse sucesso em um novo papel.

Fiz alguns dos melhores amigos da minha vida na Apple e agradeço a todos vocês pela possibilidade de ter trabalhando muitos aos ao seu lado.

Em 5 de Outubro, Steve Jobs vem a falecer, pacificamente, cercado pela família.

Via A vida de Steve Jobs | Gizmodo Brasil.

Laser de raios X é o laser mais puro do mundo

Publicado: 7 de outubro de 2011 por Yaakov Bourne em CIÊNCIAS, TECNOLOGIA
Tags:, ,
O SLAC é a fonte de raios X mais puro já medida, o que ajudará a desvendar a estrutura atômica dos materiais. Imagem: SLAC

O SLAC é a fonte de raios X mais puro já medida, o que ajudará a desvendar a estrutura atômica dos materiais. Imagem: SLAC

O primeiro laser de raios X do mundo não é só mais um laser, é o melhor de todos.

De remédios à arqueologia

Pesquisadores analisaram os primeiros resultados do LCLS (Linac Coherent Light Source), uma fonte de raios X recém-inaugurada na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos.

Eles mediram a coerência do laser – o grau em que as ondas de luz são sincronizadas – e descobriram que o LCLS produz a mais coerente radiação de raios X já medida.

Com um feixe de tão alta qualidade, a máquina é capaz de determinar a estrutura atômica de materiais com um nível de precisão sem precedentes.

Isto será útil em campos tão diversos quanto a descoberta de novos medicamentos, a engenharia de materiais e até a arqueologia.

Laser de raios X

Desde a invenção do maser, em 1957 – o antecessor de micro-ondas do raio laser de luz visível -

Um laser tão puro é capaz de gerar uma fotografia da amostra com um grande campo de visão, da largura de milhares de átomos. Imagem: SLAC

Um laser tão puro é capaz de gerar uma fotografia da amostra com um grande campo de visão, da largura de milhares de átomos. Imagem: SLAC

cientistas têm desenvolvido lasers com comprimentos de onda cada vez mais curtos, aplicando-os a uma crescente variedade de propósitos.

Mas fazer lasers com comprimentos de onda muito curtos é um desafio.

Para que uma fonte de luz seja declarada um laser, a maioria dos seus fótons deve ser coerente – eles devem oscilar em sincronia.

Uma alta coerência significa que a luz vai difratar mais precisamente, o que, para um feixe de raios X, significa imagens mais nítidas da estrutura atômica que está sendo estudada.

Feixes de laser também têm vários padrões – ou modos – de oscilação, assim como instrumentos de cordas e tambores, e o feixe ideal tem todos os seus fótons contribuindo para um único modo.

Quando o LCLS começou a operar, a evidência para uma luz verdadeiramente laser foi a presença de pulsos de raios X brilhantes, monocromáticos e altamente focados.

No entanto, até agora, as estimativas da coerência da luz eram baseadas unicamente em simulações.

Melhor laser do mundo

Agora, os cientistas mediram na prática um tempo de coerência de 0,55 femtossegundo, o que significa que o pulso tem efetivamente a mesma cor e intensidade durante esse intervalo de tempo, equivalente a uma distância de cerca de 150 nanômetros ao longo da direção do feixe.

Assim, uma amostra de 150 nanômetros de profundidade pode ser iluminada com luz coerente de uma única vez, gerando uma fotografia da amostra com um grande campo de visão, da largura de milhares de átomos.

Ter este nível de coerência significa que a maioria dos fótons está confinada a um único modo espacial.

Cerca de 78% dos fótons do laser de raios X estavam no modo dominante, em comparação com menos de 1% em uma fonte de luz síncrotron de raios X típica.

Via Laser de raios X é o laser mais puro do mundo.

Fim do Universo

A se acreditar na teoria que rendeu o Prêmio Nobel de Física de 2011, o Universo vai acabar em frio. Imagem: Wikimedia

A se acreditar na teoria que rendeu o Prêmio Nobel de Física de 2011, o Universo vai acabar em frio. Imagem: Wikimedia

“Alguns dizem que o mundo vai acabar em fogo, outros dizem que ele vai acabar em gelo. Qual será o destino do Universo? Provavelmente ele vai acabar em gelo, pelo menos se acreditarmos nos ganhadores deste ano do Nobel de Física.”

É com este texto que começa o anúncio oficial da concessão do Prêmio Nobel de Física de 2011.

O prêmio foi concedido a Saul Perlmutter, Brian Schmidt e Adam Riess, todos norte-americanos, pelos trabalhos que demonstram a aceleração da expansão do Universo.

Expansão acelerada

Primeiro Einstein e muitos outros acharam que o Universo era estático. Depois Edwin Hubble descobriu que ele estava se expandindo. Vieram então os três e afirmaram que o Universo não apenas está se expandindo, mas que essa expansão está aumentando de velocidade.

Ora, se o Universo continuar nesse ritmo de expansão acelerada, um dia, em um futuro muito distante, todos os corpos celestes estarão tão longes uns dos outros que não haverá mais acúmulo de material capaz de formar estrelas.

Então, as estrelas que existem morrerão e o Universo finalmente acabará em gelo – é a esse prognóstico que o Comitê do Nobel se refere, embora fosse mais correto falar em frio, uma vez que, nesse modelo, provavelmente não existirá gelo.

A descoberta foi feita em 1998 por dois grupos, o primeiro chefiado por Saul Perlmutter e o segundo chefiado por Brian Schmidt – o Comitê do Nobel afirmou que Adam Riess “desempenhou um papel crucial” no trabalho deste segundo grupo.

Supernovas

Os três cientistas estudaram dezenas de supernovas, estrelas de grande massa que explodem no final de suas vidas.

Eles observaram um tipo particular desses fenômenos, chamados supernova Ia, uma explosão de uma velha estrela muito compacta, do tamanho da Terra, mas tão pesada quanto o Sol. Uma explosão dessas pode emitir tanta luz quanto uma galáxia inteira.

O trio encontrou 50 supernovas distantes cuja luz era mais fraca do que previam as então vigentes teorias da expansão do Universo – este foi o sinal de que a expansão do Universo estaria se acelerando.

Para explicar essa aceleração foi levantada a hipótese de uma forma de energia ainda desconhecida, que impulsiona cada vez mais a expansão do Universo.

Essa forma de energia foi chamada de energia escura – até hoje os cientistas não conseguiram uma explicação para o que ela seria.

Pontos de vista

Recentemente, dois astrônomos brasileiros contestaram a teoria da aceleração da expansão do Universo:

Antiprótons

A antimatéria é vislumbrada como uma potencial fonte de energia, uma vez que, ao se juntar com a matéria comum, ambas se aniquilam em uma explosão de raios gama - alguns poucos gramas de antimatéria seriam suficientes para alimentar uma nave interestelar. Imagem: CERN

A antimatéria é vislumbrada como uma potencial fonte de energia, uma vez que, ao se juntar com a matéria comum, ambas se aniquilam em uma explosão de raios gama - alguns poucos gramas de antimatéria seriam suficientes para alimentar uma nave interestelar. Imagem: CERN

O CERN, laboratório europeu responsável pelo LHC, o maior acelerador de partículas do mundo, agora terá também o mais potente desacelerador de partículas do mundo.

O objetivo é diminuir drasticamente a energia das partículas até um nível nunca alcançado, tornando possível estudar as partículas de antimatéria.

O experimento é chamado ELENA - Extra Low Energy Antiproton Ring - anel de antiprótons de extra baixa energia.

Assim como o LHC está permitindo que os cientistas estudem os fenômenos de energias extremamente elevadas, o ELENA permitirá que eles olhem para o outro extremo, para as energias extremamente baixas, quando as partículas são resfriadas a ponto de poderem ser estudadas.

Desacelerador de antimatéria

O ELENA será um novo anel desacelerador que será adicionado a um desacelerador de partículas já existente no CERN, chamado AD (Antiproton Decelerator).

Os antiprótons desacelerados, que hoje saem do AD, serão injetados no ELENA, que reduzirá sua energia ainda mais – um anti-próton que sai hoje do AD a 5,4 MeV milhões de elétrons-volt) chegará a 100 keV (milhares de elétrons-volt) na saída do ELENA.

O projeto inclui a construção de um pós-desacelerador, um anel de resfriamento e linhas eletrostáticas para guiar as partículas.

Com isto, haverá um aumento na eficiência do aprisionamento dos antiprótons entre 10 e 100 vezes.

O ELENA será um novo anel desacelerador que será adicionado a um desacelerador de partículas já existente no CERN, chamado AD (Antiproton Decelerator). Imagem: Cern

O ELENA será um novo anel desacelerador que será adicionado a um desacelerador de partículas já existente no CERN, chamado AD (Antiproton Decelerator). Imagem: Cern

Produção de antimatéria

Hoje, no experimento AD, a antimatéria tem que passar por um sistema de lâminas metálicas para reduzir sua energia e permitir que ela atinja os experimentos propriamente ditos – os aparelhos usados para estudá-la.

O problema é que esse mecanismo de frenagem gera uma perda de 99,9% das antipartículas geradas.

No ELENA, a um nível mais baixo de energia, essas folhas poderão ser muito mais finas, elevando drasticamente a quantidade de antiprótons efetivamente disponíveis para os experimentos, ou seja, a quantidade da antimatéria produzida que poderá ser aproveitada.

A antimatéria é vislumbrada como uma potencial fonte de energia, uma vez que, ao se juntar com a matéria comum, ambas se aniquilam em uma explosão de raios gama – alguns poucos gramas de antimatéria seriam suficientes para alimentar uma nave interestelar.

Mas não existem minas de antimatéria, a antimatéria tem que ser produzida artificialmente, o que é feito juntando feixes de energia e forçando a colisão de partículas.

Toda a antimatéria produzida hoje pelo CERN durante um ano daria no máximo para acender uma lâmpada por alguns segundos – muito mais energia do que isso é gasta em sua produção.

A compreensão das antipartículas poderá revelar maneiras mais eficientes de produzir a antimatéria e, eventualmente, abrir caminho para seu uso na geração de energia.

Influência da gravidade sobre a antimatéria

Os primeiros antiátomos – anti-hidrogênio – foram criados nos laboratórios do CERN em 1995, abrindo caminho para as primeiras experiências com a antimatéria.

Há cerca de um ano, os cientistas finalmente conseguiram capturar a antimatéria pela primeira vez, abrindo uma série de sucessos na área.

Poucos meses depois, a antimatéria foi presa em uma armadilha por quase 17 minutos, permitindo que ela começasse a ser estudada.

Além das pesquisas de física básica, os cientistas estão tirando proveito desses avanços testando o uso dos antiprótons para o tratamento do câncer. Os equivalentes de antimatéria dos elétrons – os pósitrons – já são largamente usados na área da saúde, na chamada Tomografia por Emissão de Pósitrons.

Com o início da operação do ELENA, os pesquisadores poderão ainda fazer comparações detalhadas entre os átomos de hidrogênio e de anti-hidrogênio e medir a influência da gravidade sobre a antimatéria, com largas implicações sobre os modelos cosmológicos e a forma como compreendemos o Universo.

O novo desacelerador ELENA começará a ser construído em 2013, devendo entrar em operação em 2016.

Via Desacelerador de partículas permitirá estudar a antimatéria.